sábado, 21 de Novembro de 2009

Para ti #4





Chove do céu, como chove dos meus olhos.
Hoje é um dia especial [só tu sabes porquê], em que a dor me sufoca as palavras. Palavras que quero gritar ao vento. Que o vento te encontre e me diga onde estás.



Não proferimos promessas vãs, nem falsas esperanças de “eu ligo-te” ou “vamos trocando e-mails” ou qualquer outra não-realidade [demasiado real para poder ser virtual, foi a conclusão partilhada] que só iria destruir-nos.



Não pergunto, não falo de ti a ninguém e ninguém responde aos meus surdos apelos. Recorro à noite e
Peço-lhe um sinal de ti…




Como Ying & Yang (tu sempre de preto, eu sempre de branco; tu sempre de noite, eu sempre de dia…), as diferenças seriam assim, mesmo, tão [mas tão!] incontornáveis?!

“ – Vim despedir-me…”,
disseste [jamais esquecerei o teu sorriso triste, no momento que proferiste estas palavras…como poderia esquecer?!] – “Gosto demais de ti para ficar…”. E eu quereria mais do que me podias dar? Deste-me tanto, mas tanto, que continuo a dedicar-te o melhor, o mais genuíno que há em mim: os meus pensamentos.

Os momentos [tão, mas tããããão nossos, que até dói lembrar…], as conversas [ressoam todas no meu cérebro…], os sorrisos [estão todos marcados, a ferro e fogo, na minha memória…], os olhares [como esquecê-los…?!], mas, sobretudo, os nossos silêncios.

Silêncios preenchidos de emoções tão vivas, tão pulsantes, em que me perco nos teus olhos , nesses teus olhos que invadem os meus, sem pedir licença, aprisionando-os de livre vontade, sugando o meu calor, lambendo a minha alma.

Sinto ainda as tuas mãos nas minhas, encaixando, na perfeição, os nossos dois mundos. Sinto ainda o toque suave dos teus dedos, dando vida própria aos meus, numa dança eterna.

Procuro-te, ansiando que me encontres, em qualquer aeroporto, em qualquer cidade, em qualquer lugar. Procuro-te incessantemente…e apenas.

“ – Não te deixarei partir…” respondi-te, num sussurro, num grito surdo, desesperado.

E, como vês, não deixei: são teus os meus pensamentos, são tuas as minhas lágrimas, são teus os meus sorrisos, são tuas as palavras que jamais pronunciarei…mas que pulsam, enclausuradas, e apenas tu as podes libertar.

Voltarei a ver-te algum dia?

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Qual?









Supostamente, estas frases foram proferidas:

"Nada é tão bom como estar magra."

Kate Moss

"As pessoas mais chatas são aquelas que não gostam de comer."

Julia Child (personagem de Meryl Streep, no filme Julie & Julia)

Há coisas que nos dão que pensar. A mim, tudo me dá que pensar, mas estas duas expressões ficaram a mastigar no meu [pobre] espírito.

Cada uma, a seu modo, poderá estar correcta.

Ser magro, mais que uma questão estética, é sinónimo de vida saudável.

E, em demasia, torna-se uma doença.

Ah, mas então o prazer da comida? A satisfação obtida através do prazer da gula?

E, em demasia, torna-se uma doença.

Qual escolheria [eu]?








quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Não entendo as pessoas







(ouvido de passagem)



Homicídio em Mangualde: jovem de 22 anos mata namorada de 20. A relação durou 5 anos, os amigos não notaram nada de estranho, o casal encontrou-se para conversar, foram para um local ermo, discutiram, o jovem agrediu-a, com leões na cabeça, levando-a à morte imediata.



Tentou simular um despiste numa barragem...já confessou o crime e o corpo da jovem foi encontrado no porta-bagagem do carro do pai do namorado.



Isto não é nada normal. Não pode ser, não podemos aceitar que os miúdos se matem. É um desperdício. De vida. Vidas que ainda não aconteceram.


Não compreendo as pessoas, [quase] desisti há muito.


É [sempre] tempo de Amar, de Viver, de Desejar, de Ambicionar...nunca de Matar.


...Muito menos a quem amamos ou já amámos um dia...





"Eres un sol"

Esta expressão, utilizada não raras vezes pelas minhas colegas espanholas, não tem tradução literal em português.




Normalmente, usam-na na sequência de qualquer trabalho que execute, ou qualquer ajude que facilite, ou qualquer informação que faculte, com rapidez, eficácia e eficiência:




"Tela, eres un sol."


E eu gosto. Confesso que gosto. Não pelo reconhecimento, é pelo facto de existir a comparação ao Astro-Rei, que nos ilumina, nos aquece, sinónimo de vida e de todas as coisas boas associadas.


E eu gosto. Gosto destes nossos "pequenos-nadas"...

E gostaria de, um dia, dizer: "Tú eres un sol".


...talvez já tenha dito a alguém e já não me lembre...





quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Estou em brasa





Os senhores adeptos da Selecção da Bósnia-Herzegovina vaiaram e assobiaram o Hino Nacional de Portugal.


Estes senhores insultaram o nosso país e ninguém faz nada? A FIFA cometeu uma fífia, não?! Penalizar a Selecção da BH pelo inadmissível comportamento dos seus adeptos não lhes passa pela cabeça, pois não? Bem me parecia...


Não posso deixar de manifestar a minha indignação perante a acção de insultar o Hino Nacional de qualquer pais, quanto mais o nosso. Não posso e não quero!


A Portuguesa ouvir-se-à, sempre, onde estiver um português.


Mas quando andaram por lá às turras uns com os outros [obviamente, lamento qualquer conflito bélico, porque sofrem sempre os inocentes...], a população recebem, de braços abertos, o nosso contingente militar, enviado em Missão de Paz, de acompanhamento, ensinamento e segurança ao povo bósnio.


E ainda por lá andam militares portugueses. Se eu mandasse, vinham imediatamente para casa, eles que se entendam, porque se merecem! [É, pois, estou a espumar, estou!]


A memória do Homem é muito, mas muito curta, lá isso é!


Ontem, os [supostos] senhores adeptos bósnios esperaram os membros da Selecção de Portugal, para os vaiarem e insultarem. Desocupados, não? Não tinham coisita mais importante para fazer, que pena tenho!


...Portugal acaba de ganhar, com golo de Raul Meirelles...gostei!



Não, é mau demais!

"Fiquei surpreendida com os números do desemprego, não esperava que fossem tão elevados."

Helena André, ministra do Trabalho


Ainda mal tinha acordado, éis que me deparo com esta tirada. Olho fixamente para a televisão, e, não, não estou a sonhar [afinal, já fui à rua com a Pipoquinha, já senti o ar fresco da manhã, já...].


Senhora Ministra, não pode dizer estas coisas aos media! A senhora Ministra não fez o TPC? Tem andado a viajar nos últimos 14 meses?

Veio de outro planeta, só pode, para assumir uma postura destas...


É demasiado mau para ser verdade...


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Não é normal, mas...


...estive toda a noite a jogar Biotronic no Facebook.


Por culpa (?!) de uma amiga minha...


Sou uma criança, em tamanho grande?! Só às vezes...


segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Não me sai da cabeça...



... durante todo o dia!

This Love, This Heart
by Phil Collins

This love, this heart, these arms to hold
So tight to you, I won't let go
Can this be real, or just some dream that feels so true
I wish you love, I wish you more
You are all that I live for
I'll never hurt you believe me
My heart beats just for you
It only beats for you

I'll keep the fire alight for you
Can't think of nothing else, what can I do
This lonely heart of mine, it only beats for you
It only beats for you

You bring me peace, you make me smile
You give me strength and all the while
You ask for nothing, only love
And my heart beats just for you
It only beats for you

I'd say all these things to you
If you were here, but that's not gonna be
COs you 're not here at all
There's only me
But I won't stop trying

I won't give up, I'll wait for you
'Til you come back, it's all I can do
I'll be right here, I'm going nowhere without you
Give me the chance, just make the call
Just say the words, I'm waiting for
Just let this heart of mine show you
It only beats for you

Yes it only beats for you
It only beats for you
This love, this heart
These arms, they're only for you
This love, this heart
These arms, they're only for you
They're only for you

...deve ser da chuva!

Ou será de te procurar, incessantemente, em todos os aeroportos, em todas as ruas, em todos os lugares?!

domingo, 15 de Novembro de 2009

Cinema em casa – Beleza Americana (American Beauty)







De 1999, sob a direcção de Sam Mendes, apresenta-nos 2 horas de puro deleite, merecedor dos 5 Oscares que ostenta.

Para ver, rever, saborear, meditar e até sorrir…

Sinopse:
Lester Burham (Kevin Spacey) não aguenta mais o emprego e se sente impotente perante sua vida. Casado com Carolyn (Annette Bening) e pai da "aborrecente" Jane (Tora Birch), o melhor momento de seu dia quando se masturba no chuveiro. Até que conhece Angela Hayes (Mena Suvari), amiga de Jane. Encantado com sua beleza e disposto a dar a volta por cima, Lester pede demissão e começa a reconstruir sua vida, com a ajuda de seu vizinho Ricky (Wes Bentley).


É dos meus
filmes favoritos…

Gatinho do mês

Iniciou como modelo, já o conhecíamos de Donas de Casa Desesperadas ( o jardineiro John Rowland…e agora, hem?). Nascido a 09/12/78 (completa em breve 30 anos…), podemos agora apreciar o seu talento [ e de camisa vestida…] em A Verdade e o Medo (em exibição).






... É domingo, está de chuva...uma pessoa tem que se entreter com qualquer coisa [giraça], certo?

Portugal 1 - Bósnia 0...


...à rasquinha. Ò sofrimento, de cachecol na mão, Pipoquinha embrulhada na nossa bandeira, o aparato do costume...Mas ia tendo um enfarte! A continuar assim, farei como a minha querida amiga LM, que não consegue ver jogos de futebol, nem do seu Sporting. Eu, que só vejo futebol da nossa Selecção Nacional, começo a sofrer horrores com tudo isto: podia ter sido 5-0, no mínimo 3-0, mas foi stress até ao último minuto, perante aqueles "armários azuis" - e o único giraço era o guarda-redes, no meu parecer!


Estou para ver no dia 18, lá na Bósnia...


sábado, 14 de Novembro de 2009

Dia I – Barcelona





Como prometido, eis os meus pensamentos, a 1.200 km de casa:


Em dia de capicua [mais uma na encruzilhada da minha vida], deixo Lisboa, com os olhos postos na 2ª Circular, que me conduziria a casa, e no sol, que espreita pelas nuvens para onde me dirijo.



Preencho a viagem com o MP4 quase ao máximo e revistas cor-de-rosinha, para não ouvir a algazarra dos passageiros e as instruções de voo do Cmdt. Ignoro o idiota-canastrão que me observa, ao meu lado, toda a viagem – mais do mesmo: faz-lhe “confusão” uma mulher viajar sozinha, sou a única neste voo TAP, felizmente não-cheio, que permite um lugar higiénico entre o idiota-canastrão e moi.



[Ainda no aeroporto, já na porta de embarque, reflicto: o “nosso” pessoal do aeroporto é mesmo porreiraço; na fila de Controlo, cerca de 200 pessoas, a fila começa muito antes do serpenteado verde, as pessoas coladas umas às outras – ignorando todas as normas de segurança da Pandemónia – falam, sobretudo ao telefone (muito as pessoas têm para dizer umas às outras, só eu nada tenho de interessante, acho, para comunicar ao mundo…- . O Controlador de massas, após 4 ou 5 vezes de me ver de olhos nele pregados, manda-me avançar. Coloco os meus haveres nos cestos, respondo às perguntas da praxe: “Tem líquidos?”, “Tem computador?” e passo à “Apalpadeira”: a jovem é ligeiramente mais alta que eu e fixo o olhar algures entre a sua testa, enquanto as suas mãos me percorrem o corpo, com gestos mecânicos. Quando as sinto nos tornozelos, pergunto-lhe, sem me mexer, se quer que me descalce, responde-me que não e deseja-me boa viagem – são ou não são uns porreiraços?].

Desembarco. Sorrio, já cheia de saudades do pessoal TAP e despisto o idiota-canastrão, entrando na Desigual. Dou uma volta e já com uma blusa na mão, do meu número, prestes a comprá-la, sou interrompida pelo funcionário da loja. Pergunta-me se quero o meu número (?!), respondo que não e pouso o cabide, saindo apressada da loja. Odeio que me interrompam [já sei que só estava a fazer o seu trabalho, mas mesmo assim…]. Não teve que ser, talvez no regresso…



No táxi-point, fumo 1 cigarro enquanto ligo à minha mãe [quer sempre ouvir a minha voz, nada de sms, pois claro!], envio sms a F. e um espanhol – este é giraço!! –pede-me um cigarro [que chatice, bolas! Eu, mala-assoalhada, maleta, telefone e cigarro é muita coisa junta!]. Perante o meu olhar entre o fulminante e o apático e incomodativamente fixado nele, desanda. A táctica da “tontinha” resulta sempre. Encontro-me vestida de negro integral, com acessórios turquesas [um visual um poco raro para Espanha], o ar de 15º fere-me as pernas desnudadas. Sei que é Novembro, mas sai de Lisboa com 20º, ok?



É, há muito,noite cerrada e dirijo-me então à fila dos táxis, uma rapariga indica-me qual o meu, agradeço-lhe e devolve-me o sorriso. Mais uma que pensará, decerto, que sou andaluza, como todos por cá. Ela também é morenita, apesar de 15 cm mais baixa, não me parece catalã.

Isto é o que Barcelona tem de mais fascinante: absolutamente multi-racial, tipo NY, ninguém olha para ninguém, acredito que possa sair nua para a rua que ninguém liga, ninguém dá conta. É uma cidade completamente livre de preconceitos.

O táxi corta a cidade. Barcelona à noite. Através da janela do carro em andamento. Observo, sobretudo as alterações. Vive em constante obra [que ninguém se queixe das obras em Lisboa], ruas cortadas daqui, abertas dali.

Faço check-in no Hotel num instante, deixo a mala no quarto. Desço pela escada, necessito de exercício, saio, dou 2 passos, viro a esquina e estou na Gran Via. Percorro-a calmamente, sorrio a duas idosas e afago o seu cão, grande e negro e sussurro-lhe a uma orelha: “Tengo una perrita, toda blanca…”. Sigo o meu caminho, que não é nenhum, páro na montra de uma florista, maravilhosa. Admiro-a por alguns segundos. Sinto fome e frio nos pés. Entro numa esplanada envidraçada. Olho o menu: “Meu Deus! Que se lixe: quero 1 pizza [super-hiper-calórica-Valha-me-Deus] e um sumo laranja natural” (cada artigo vale 6 Eur): a pizza dava para 3, fico enfartada, logo eu, uma verdadeira trituradora! O sumo está magnífico [enviam para Portugal as laranjas amargas, agora estou certa!], observo as pessoas que passam, entre cada garfada. Terminado, faço-me novamente ao caminho, agora para triturar a [maldita] pizza.
Detenho-me numa tienda de aspecto muito cool, muito trendy: pinturas com henna. Num impulso, entro, quero uma na perna. Escolho o desenho, imóbil, quase tirito de frio. Pessoas simpáticas, sorridentes, que me olham directamente nos olhos. Deixo lá 20 Eur, saio feliz.
Faço o caminho inverso, já é tarde [para mim, não para Barcelona, mas reuniões marcadas às 8:30 h significam 7:30 h pela “nossa” hora e, nessa altura, os meus neurónios recusam-se a qualquer reacção que não seja mecânica]. Regresso ao Hotel, entro no quarto, nem sinto os pés [estou sem meias, ‘tá bem?]: mergulho-os em água quente para “descongelarem” – não posso molhar ainda a perna pintada -, massajo-os com creme, acho que vou dormir de robe vestido, “Quem me mandou trazer uma camisa-de-noite de alcinhas?”, martirizo-me. O ar condicionado não responde [ainda] às minhas exigências. Atiro-me sobre a cama, a televisão espanhola é bem pior que a nossa, acerto o despertador do telemóvel para uma hora que até assusta…quero tomar o pequeno-almoço com calma, pôr-me linda e maravilhosa e inteligente [já agora, dava jeito!] para o dia que se avizinha. Vejo as horas: a esta hora, estaria no meu sofá, com as minhas crianças ao colo, todos quentinhos e bem aconchegadinhos…Em breve, F. chegaria e estaríamos todos juntos…e eu não sentiria frio.

(continua)


Não entendo as pessoas




Nas últimas [poucas] semanas, tenho dado conta de blogs "a fechar"...Faliram as ideias, faliram os ideais? Um blog não tem que ser temático, nem necessita de um fio condutor...Para mim, funciona como uma terapia, por assim dizer...a tal "salada-russa", sobre Tudo e sobre Nada.


Genericamente, a justificação é sempre a mesmo, do género: "Não faz sentido continuar, a minha vida está numa encruzilhada, agradeço aos que me seguiram durante x tempo".


Obviamente, respeito. Na maioria dos casos, se os seguia, lamento que encerrem, faziam parte do meu dia-a-dia e, naturalmente, sinto-me lesada [ok, palavra forte demais, mas quem me conhece, sabe que sou dada a exageros...].


Podemos interromper, colocar um "intervalo-técnico", informar que "vou ali, já venho", mudar a directriz do blog, sei lá, qualquer coisa...Isto é um bocadinho como O Principezinho: temos responsabilidades perante aqueles que nos lêm, nos seguem, enfim, de algum modo, dedicam-nos o seu tempo!


Será do Outono?


...um dia, compreenderei: quando encerrar este blog...ou não!

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

“Mãe, o que é isto?”






Gosto destas reflexões , do antes e do depois…Fazem-nos sorrir e acenar com a cabeça, numa cumplicidade surda com as palavras…que me conduzem a outros locais, a outras pessoas; deixam-me pensativa, dispersa…e muito, muito leve.

Gosto do antes e do depois. O que tenho é o durante, tão-só e apenas.


E gosto. Muito.

Mais do mesmo






Perante esta postura , aguardo, com muita curiosidade, os lucros em 2009 da GALP, da Banca e Seguros, da Unicer, e outros…

Feira da Golegã






Um bocadinho longe vai o tempo, em que eu, adolescente inconsciente, seguia religiosamente, ano após ano, a Feira da Golegã. Com o regresso às aulas, era o acontecimento mais in do Outono.

Sempre gostei de animais e cavalos incluídos, mas, excepto o Hipódromo do Campo Grande, não se vêm todos os dias, nas cidades. Pronto, ok, Sintra e as charretes…mas apenas isso!

A Feira da Golegã era, enfim, não sem certa vaidadezinha, precocemente ambicionada, combinada, levada ao detalhe…a indumentária, que combina o uso de chapéu [adoro-os, mas sem grande coragem para usar no dia-a-dia; esta era a oportunidade do ano], os namoricos, e, sim, os cavalos, os cavalos e o seu mundo.

Com o tempo, a Feira popularizou-se demais e, pouco a pouco, distanciei-me: as multidões incomodam-me, o acotovelar constante também, as bebedeiras [dos outros], então, nem pensar! Só mantenho o interesse [porque não chamar-lhe fascínio?!] pelos cavalos…

Este
artigo traduz, com verdade e muito humor, aquilo em que a Feira da Golegã se tornou: numa Feira de Vaidades.


Então e no final, essa gente toda fica por lá? E a vila aguenta?

O dia seguinte é, claro, a parte mais dolorosa da festa. Não só pela ressaca (e, acredite, o abafadinho é propenso a esse tipo de efeito fisiológico) mas porque muitos dos noctívagos ficam nos carros a dormir e no dia seguinte acordam com as respectivas dores nos ossos. Por isso há certas regras que os veteranos nestas andanças respeitam sempre: chegar cedo para arranjar lugar perto do recinto e longe da confusão, levar umas mantas porque as noites são frias na região e acordar cedo no dia seguinte para arranjar onde comer, antes de seguir viagem. Isto, ou levar quem se disponha a festejar sem tocar em álcool. E se ouvir alguém dizer "mas eu estou bem para conduzir" lembre-se: são 130 km até Lisboa e uma brigada da GNR em cada rotunda.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

O melhor...


...de regressar, é constatar que sinto mais eu a falta da miudagem do que eles sentem a minha.


Traduzindo: sofro horrores quando tenho que me separar deles [as pessoas racionalizam as ausências, eles não...], mas adoro, quando regresso, certificar-me que estiveram bem, que não estão deprimidos, estão bem, enfim!

Se parto de coração apertadinho, apertadinho de saudades, abraço-os de felicidade quando regresso. A Pipoquinha, efusiva como ela só, fez-me a maior festa [aliás, a mesma que faria se me ausentasse por 5 minutos...], mas depois de cheirar tudo que eu trazia, deitou-se na sua caminha, muito tranquila e, pouco depois, foi para o sofá, como quem diz: "Era aqui que eu estava, a dormir, muito enroscadinha, muito quentinha, até tu chegares...". A miudagem, também procedeu à devida inspecção, cheirando e espreitando os meus haveres, como que adivinhando "os sítios por onde andaste, enquanto nós estivemos por aqui", acção repetida de todas as vezes que regresso seja de onde for...

Quando F. chegou, todos se dirigiram a ele [a Pipoquinha presenteou-o com toneladas de peluches aos pés], pedindo festas, cumprimentando. Olhou-me, sorrindo, do género: "Vês? Estão bem...tanta preocupação para nada!", apenas comentei, afagando os pequenitos: "Fico tããããão feliz por ver que não estranharam a minha ausência...."


Exagerada, eu?! Nem por isso...


Regressei...com este pensamento







Não é inédito, muito menos meu; mas adequa-se ao que pretendo transmitir, a todos(as):


"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás..

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correcta, não é topar qualquer projecto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza…

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, óptimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente…
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."


Martha Medeiros - Jornalista e escritora – in revista do jornal O Globo


De Barcelona, trarei à luz do dia os meus próprios pensamentos [ou apenas os confessáveis] em breve...espero!

domingo, 8 de Novembro de 2009

Vou ali a Barcelona...





...e já volto!





Ao anoitecer, percorrer tranquilamente as Ramblas, respirar fundo, espreitar as novidades na Desigual, comprar frutas no Mercado. Ver gente bonita. Pessoas bonitas, com cães e afagá-los, e sorrir-lhes...e em pensamento, afagar a minha Pipoquinha.





Jantar numa esplanada e olhar o Céu...porque o Céu é o mesmo em todo o lado.

Até ao meu [breve] regresso.

Reflexões






Enfrentei o espelho. Perguntei-lhe: "Porquê?" Ao contrário do conto, não me respondeu...


Respondi a mim mesma: " Não podes mudar os factos, não podes mudar o rumo da História. Pára de dar murros em pontas de facas. Encara. Encara-te. [Já] Não podes mudar nada, queimaste todos os cartuchos...De que adianta essa revolta, que te sufoca, que te estrangula, que te tira a vida? Vai, vai em frente. Vais ver que não dói nada."


As lágrimas, quentes e silenciosas como são todas as que reprimimos, desceram até ao colo. Lágrimas de saudade. Lágrimas de dor. A jugular pulsante reflectiu a vida que me percorre e o espelho devolveu-me uma imagem sorridente. A vida consiste em transformar lágrimas em sorrisos...por mais que nos custe a alma.